voltar

NOTÍCIAS & ARTIGOS

Empatia nas Organizações: agora é a hora da verdade.

Empatia nas Organizações: agora é a hora da verdade.

Por Otavio Dias (REPENSE) e Nelio Bilate (NBHeart)

AUG | 2020

Por Otavio Dias (REPENSE) e Nelio Bilate (NBHeart)

Dentro e fora do mundo corporativo, certamente vivemos o momento mais desafiador de nossas vidas. Jamais esqueceremos o que estamos passando.

Muitos negócios estão com grandes dificuldades e sem perspectivas claras do que (e de quando) as coisas começarão a voltar ao normal que, já sabemos, será o tal do "novo normal" – termo já desgastado, mas absolutamente verdadeiro. Por outro lado, existem negócios que estão se reinventando, reposicionando e acelerando transformações que provavelmente só aconteceriam em alguns anos.

No início de maio, Jack Dorsey, CEO do Twitter, anunciou que todos os funcionários que ocuparem cargos que permitam o trabalho remoto poderão optar pelo modelo para sempre. Aqui, o Banco do Brasil, por exemplo, comunicou a devolução de 19 de seus 35 edifícios, com economia estimada em R$ 1,7 bilhão em 12 anos. Já. a XP cancelou planos de expansão em São Paulo, onde o metro quadrado é mais caro, para construir um campus em São Roque, a 60 km da capital

Pesquisa recente da Edelman (=Trust/Barometer) aponta que 98,5% das empresas já implementaram uma política de home office total ou parcial, e 96% delas já haviam delineado políticas relativas a reuniões presenciais e/ou viagens. Além disso, 60% já estão contando com políticas de apoio para funcionários infectados ou com suspeita de infecção pelo coronavírus e 90% já promoviam conscientização sobre medidas preventivas para seus colaboradores.

A mesma pesquisa demonstra que 72% dos consumidores concordam que o país não passará por esta crise sem que as marcas desempenhem um papel importante na solução dos problemas enfrentados. 93% deles afirmam que é essencial que as empresas façam tudo o que puderem para proteger o bem-estar e a segurança financeira de seus empregados e fornecedores, mesmo que isso signifique sofrer grandes perdas econômicas até que a pandemia termine.

Com o isolamento total ou parcial das pessoas em todos os cantos do mundo, sofrem os negócios e sofrem seus colaboradores, que tiveram suas rotinas completamente modificadas e estão agora mergulhados no medo, que eleva a ansiedade para níveis preocupantes.

Se algumas grandes empresas já estão realizando e comunicando rápidas transformações estruturais que parecem positivas, pequenos e médios empresários – e junto com eles uma massa gigantesca de trabalhadores – agonizam pelo que ainda pode vir por aí.

Um estudo recente da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia traçou um cenário bastante ruim para empresas brasileiras em meio à pandemia. Segundo levantamento, cerca de 3.500 companhias irão pedir recuperação judicial ou entrar em falência nos próximos meses. Os dados mostram que a inadimplência pode crescer 294% em relação a um cenário sem a pandemia, atingindo 271 mil empresas no Brasil.

Neste momento de angústia coletiva, a qualidade do relacionamento das organizações com seus colaboradores ganha protagonismo. Como apoiá-los? Como facilitar o trabalho remoto? Como preservar sua saúde mental?

Se o nível de apoio oferecido pelas empresas depende de diversos fatores, em especial a capacidade financeira de cada uma delas, a preocupação genuína e a comunicação clara e frequente já podem fazer enorme diferença para as pessoas – e custam muito pouco. Não estamos falando de recursos financeiros, mas de recursos emocionais.

Além das preocupações de preservação dos empregos e benefícios, estabelecer um mecanismo sistemático de interação e relacionamento com colaboradores é uma das atitudes mais importantes. É hora de nos fazermos presentes. 

As lideranças devem entender que este é um momento para ser absolutamente empáticas, compreendendo a realidade de cada indivíduo, dando mais flexibilidade no cumprimento de prazos ou metas. É hora de resgatarmos nossa humanidade.

É hora de entendermos de uma vez por todas que o mundo corporativo pode (e deve) ser mais amoroso, solidário, sustentável e, principalmente, empático.

E nesse momento que nos direciona para uma nova era, a cultura organizacional torna-se cada vez mais importante, cada vez mais imprescindível. Conhecer e exercer a cultura de uma empresa fica mais forte e primordial em qualquer momento de crise ou imprevisibilidade. Culturas fortes dependem de valores claros, crenças conscientes, propósito praticado, missão possível, rituais e símbolos legítimos, e acima de tudo, carecem de líderes engajados e que possam ser o exemplo nos comportamentos e nas atitudes.

Cultura se faz com pessoas, emoções e atitudes. Nessa nova era vamos precisar de mais habilidades emocionais e humanas para lidar com o imprevisível. É um caminho onde pessoas, organizações e sociedade vão precisar se conectar com suas verdades mais profundas, sua autenticidade mais clara e sua essência mais legítima. Um tempo onde a vulnerabilidade torna-se companheira da coragem, da empatia e do amor. Sim, o amor como fonte de energia e força propulsora para continuarmos na jornada. O amor que pode nos fazer aceitar a vulnerabilidade alheia e abraçar com muita humildade a nossa própria vulnerabilidade.

Perceber a necessidade de mudança e aceitar a transição interna, faz parte do crescimento que todo ser humano e toda organização precisa para ser e crescer. O desenvolvimento está na capacidade de aceitarmos as dores, escolhas, erros e acertos da transformação. Não existe transformação sem movimento, sem rupturas, sem um passado entendido e ao mesmo tempo, deixado para trás. Nosso futuro depende da nossa capacidade de acolher a liberdade em nossos corações. Assim vale também para uma empresa ou para uma sociedade que pretende ser cada vez mais humana, inclusiva e justa. Nosso novo compasso será a escolha do ritmo que vamos querer dar para as nossas vidas e para a vida daqueles que nos cercam.

E por isso é tão importante nos conectarmos com o que nos chama para uma ação. Aquilo que nos desperta para uma atitude e nos causa o desejo de fazer parte e de agir com paixão e singularidade para um impacto mais claro e positivo. A esse lugar do incômodo e da luz, chamamos de Propósito. O lugar que não pode ser mais somente meu, porém que devo compartilhar, entregar, viver, fazer, realizar. É o convite para a ação além da reflexão. Da responsabilidade além da indignação. A contribuição além da conexão. E como Nietzsche fala e nos faz refletir: “Aquele que tem uma razão para viver pode suportar quase tudo”.

 

 

 

 

 

Inspire-se e repense com a gente.

Receba os nossos artigos, novidades
e campanhas no seu email e celular.

Enviado! E-mail cadastrado com sucesso!

Erro! Cadastro não realizado, tente novamente mais tarde.

RIO DE JANEIRO

Waze

R. Visconde de Piraja, 495, 11º andar Ipanema - 22410-002 - Rio de Janeiro - RJ
+55 21 2540 6020

Entre em contato com a gente