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A mudança do comportamento dos homens

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A mudança do comportamento dos homens

AGO | 2021

A mudança do comportamento dos homens

Por Lucas Trentinella, Planejamento Estratégico

 

A  pandemia reacendeu os debates sobre os papéis de gênero em todo o mundo.

Os homens estão reajustando seus estilos de vida e valores, as necessidades masculinas e toda sua complexidade foram modificadas na rotina da casa, no trabalho e internamento durante o isolamento social causada pela Covid-19.

 

  1. Reconstruindo a masculinidade

Apesar do surgimento de atitudes mais esclarecidas em relação à masculinidade, o sexismo tóxico ainda persiste; metade dos homens no mundo acreditam que têm mais direito a um emprego do que as mulheres (PNUD, 2020).

 

  • Masculidade frágil: a sociedade continua a lutar com ideias conflitantes de masculinidade. Uma pesquisa recente descobriu que os americanos associam masculinidade a palavras como “macho” (citado por 35% dos homens) e 'musculoso' (citado por 52%). Já “gentil” e “sensível” foram associados apenas por 20% e 14%, No entanto, os homens entrevistados disseram que preferiam ser descritos como "respeitosos" (73%) e "honestos" (71%) pelos amigos (GQ, 2019).

  • Machosfera: metade dos homens britânicos da Geração Z acha que o feminismo está exagerado e limita as oportunidades deles (Hope Not Hate, 2020), já 28% dos homens americanos acreditam que o progresso feminista atrapalha suas vidas (Pew, 2020). Sob as tensões financeiras e emocionais da Covid-19, os homens mais insatisfeitos expõem seu machismo na internet. Publicado em setembro de 2020, o livro Men Who Hate Women, da escritora feminista britânica Laura Bates, chama a atenção para as crescentes comunidades e homens separatistas que se encontram na Machosfera.

  • Chamando pra conversa: as feministas estão buscando conversas e programas mais inclusivos para ajudar os homens a reconhecerem comportamentos machistas. Na Colômbia, a Escola Nacional para Desaprender o Machismo usa campanhas com vídeos para destacar os impactos negativos do sexismo no dia a dia. No México um grupo da sociedade civil – Gendes lançou uma linha de ajuda de emergência para homens que lutam com impulsos agressivos. Na pandemia, o país teve um aumento de 80% na violência doméstica.

 

  • Local de trabalho mais inclusivo: homens e mulheres sofrem com normas e padrões masculinos no trabalho. No Reino Unido, por exemplo, 48% dos homens com menos de 35 anos têm receio de buscar apoio emocional no escritório, e 67% deles se sentem obrigados a ser os provedores da família (Utopia, 2020).

Entretanto, alguns homens estão tentando mudar essa cultura do mundo corporativo. Publicado em outubro de 2020, The Good Guys, de David G. Smith e W. Brad Johnson, dá conselhos práticos sobre o local de trabalho para aspirantes a aliados das feministas. Iniciativas de liderança da nova era estão transformando as recomendações em ação. O Movimento Better Man, por exemplo, organiza workshops de treinamento, programas de coaching para ajudar os homens a promoverem culturas inclusivas no local de trabalho.

  • Educadores da igualdade: destacando os pontos cegos da consciência de gênero, uma pesquisa de 2020 da Universidade de Glasgow e a plataforma de aprendizagem on-line FutureLearn descobriram que 7,8 milhões dos britânicos não sabem ao certo sobre os direitos LGBTQ+, 8,9 milhões não têm educação sobre masculinidade tóxica e 12 milhões não acreditam que isso existe. A universidade lançou um curso gratuito de História Global de Sexo e Gênero em resposta a essas descobertas.

  1. Aprendizado para os homens

 

O lockdown forçado foi um baque para a vida doméstica e profissional dos homens; 70% estão lutando para conciliar o trabalho com as tarefas do lar (S&P Global, 2020).

A longo prazo, a tendência é que eles desempenhem um papel mais ativo ou igualitário em casa.

  • Não basta ser pai, tem que participar: em 20% dos lares no Reino Unido formado por casais héteros e filhos dependentes, o pai é o principal cuidador, consequência do isolamento social imposto pela pandemia (LSE, 2020). Uma pesquisa recente nos Estados Unidos descobriu que 78% dos homens acreditam que os pais devem assumir a mesma responsabilidade pelo cuidado dos filhos (GQ, 2019). A mudança da legislação na licença-paternidade na Suíça e França também indicam atitudes mais progressistas em relação aos papéis familiares.

 

No entanto, muitos países ainda não garantem aos novos pais licença-paternidade mais longas, e onde é disponível, a aceitação ainda é baixa devido ao preconceito de gênero. No Japão, apenas 5% dos homens usufruem das políticas de paternidade (Governo do Japão, 2018). A decisão do ministro do Meio Ambiente, Shinjiro Koizumi, de tirar a licença parental gerou uma discussão nacional em 2020.

O programa global de parentalidade Family Man, desenvolvido pelo acadêmico australiano Mark Dadds para a ONG Movember, mostra como as organizações podem oferecer apoio prático para pais que ficam em casa. Os recursos incluem vídeos e ferramentas para enfrentar os desafios da paternidade, como gerenciar o mau comportamento das crianças, por exemplo.

  • Dividindo as tarefas: a ONU Mulheres lançou orientações sobre as representações de papéis de gênero, depois de descobrir que pessoas do mundo todo acreditam que a mídia propaga estereótipos de gênero. Isso incentivou os profissionais de marketing e anunciantes “a promover a ideia de que tradicionalmente ‘tarefas femininas’ também devem ser realizadas por homens e meninos”.

Seguindo este conselho, a marca Ariel na Índia lançou a campanha #ShareTheLoad em meados de 2020, mostrando pais, maridos e filhos ajudando nas tarefas domésticas. A marca constatou que a proporção de homens indianos que consideram lavar roupa um trabalho feminino caiu de 79% para 41% desde o início da campanha em 2015.

  1. Ressignificando as relações

 

As atitudes dos homens em relação aos avanços estão evoluindo depois do movimento #MeToo*, embora muitos ainda se sintam pressionados a serem "macho alfa".

  • Mudança de comportamento: mais da metade dos homens americanos solteiros diz que mudou seu comportamento com as mulheres depois do movimento #MeToo (Match, 2019) – mas também deixou 69% deles se sentindo inseguros nos encontros com seus crushs (Pew, 2020). No livro Boys & Sex, publicado em 2020, a escritora norte-americana Peggy Orenstein reúne entrevistas com jovens americanos sobre suas preocupações amorosas, revelando a pressão que muitos enfrentam para se lidar com estereótipos sexistas.

Workshops voltados para homens, como o Good Lad Initiative no Reino Unido e o Män da Suécia, estão oferecendo espaços seguros para discutir questões difíceis – conversas que podem não ocorrer em seus círculos de amizade. Os assuntos variam do consentimento da mulher ao planejamento familiar.

  • Na medicina: alternativas ao Viagra, incluindo novos tratamentos como géis à base de nitroglicerina e terapias por ondas de choque, estão chegando ao mercado depois que as patentes da Pfizer expiraram em 2020.

O mercado contraceptivo masculino também está crescendo, com cerca de 19 milhões de homens americanos interessados em novos métodos (Male Contraceptive Initiative, 2019). Embora o desenvolvimento de produtos nesta área seja lento, é um campo promissor; em um ensaio recente de pílula oral, 77% dos homens disseram que recomendariam o produto.

  • A era do amor on-line: os homens superam as mulheres em aplicativos de relacionamento (GWI, 2020), mas eles estão menos satisfeitos com suas interações: 57% dos usuários do sexo masculino nos EUA sentiram que não receberam mensagens suficientes (Pew, 2020).

A tendência para essas plataformas de namoro indica que os homens estão restringindo mais o perfil de busca para encontrar sua cara metade.

 

Enquanto isso, as principais plataformas de encontros estão adaptando seus produtos para aumentar a inclusão. Em 2020, o aplicativo Grindr, líder para homens gays e bissexuais, lançou um serviço para países emergentes, o Grindr Lite, para superar problemas de conectividade digital. A empresa também criou um ícone do aplicativo discreto para usuários preocupados com homofobia.

 

    

 

  1. Cuidados pessoais

 

Com a Covid-19 evidenciando a crise de saúde mental, desfazer o preconceito em torno do autocuidado masculino é mais urgente do que nunca. Porém, um número crescente de homens está adotando o bem-estar, destacando um mercado significativo de consumidores "silenciosos" de cuidados pessoais.

  • Apoiando a Saúde Mental dos Homens: durante a pandemia, 77% dos homens dos EUA relataram aumento do estresse (MENtion It, 2020) e o serviço nacional de teleaconselhamento MensLine da Austrália registrou 95% de aumento nas chamadas de saúde mental em 2020 (On The Line, 2020). O desemprego causado pela Covid está afetando a autoestima dos homens de maneira arrebatadora.

Houve um aumento nos serviços de ajuda para homens negros. Em julho de 2020, a organização sem fins lucrativos Black Men on the Couch do Reino Unido lançou uma série de grupos de apoio digital gratuitos cobrindo o impacto psicológico da Covid-19 e do movimento Black Lives Matter.

Positividade corporal: em outubro de 2020, a marca de lingerie Savage x Fenty da cantora Rihanna criou um linha de roupas íntimas masculinas, com uma campanha apresentando o modelo plus size Steven Green. Cerca de 38% dos homens britânicos admitem se sentir mal com seus corpos (Jacamo, 2020) – alinhando-se com dados semelhantes dos EUA, Austrália e Europa – o lançamento recebeu elogios por promover a representatividade.

  • Boom da beleza masculina: lockdowns viu um aumento do número de homens experimentando maquiagem. Em 2024, o mercado de cuidados masculinos valerá cerca US$ 81,2 bilhões (Statista, 2020). Na Ásia-Pacífico, onde a maquiagem masculina está cada vez mais associada ao autoaperfeiçoamento, é o mercado de crescimento mais rápido – o que levou a gigante do varejo chinesa Tmall a declarar esta a “Era da Beleza Masculina”.

*O movimento “#MeToo” ganhou força em 2017 quando a atriz Alyssa Milano publicou no seu twitter um pedido para que todas as pessoas que já sofreram assédio sexual usassem a hashtag #MeToo. O termo viralizou não só em Hollywood, mas no mundo todo. Homens e mulheres compartilharam inúmeras histórias de abusos e assédios sexuais. 

 

 

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